quinta-feira, 27 de junho de 2013

QUEM SE LEMBRA DOS ANOS JK/JANGO?

 
                Assim como ocorreria no futuro com Lula, o desenvolvimentista Juscelino Kubitschek, mais conhecido como  'o presidente bossa-nova', também encontrou enormes dificuldades para chegar ao poder. Grupos de militares e civis udenistas de ultra-direita tentaram impedi-lo de tomar posse, mesmo tendo sido regularmente eleito, além de fazerem intensa campanha contra ele durante todo seu governo. Com Lula o processo foi mais pacífico mas, assim mesmo, houve resistências e inúmeras ameaças, vocalizadas quase sempre pelo campo conservador da grande mídia e seus arautos, que diziam alto e bom som que, caso ele fosse eleito, poderíamos ter um 'retrocesso político', querendo dizer com isso que poderíamos voltar a ter um golpe militar em pleno mandato civil, como ocorrera com Jango. A resistência ao exercício do mandato também foi enorme.


                 João Goulart foi eleito como vice de Jânio Quadros, com expressiva votação. Na hora em que Jânio, seu excêntrico companheiro de chapa, renunciou após governar por apenas sete meses, os militares e grupos de ultra-direita, novamente, tentaram impedir a posse de Jango, só permitindo-a após impor o parlamentarismo por meio de uma emenda constitucional (EC nº 4 de 1961). Em 1963, um plebiscito devolveu  a Goulart a presidência e a chance de começar a implantar suas reformas de base. Insatisfeitos, os militares e civis de ultra-direita (sempre eles), aproveitando que as esquerdas se haviam afastado de Jango, chamando-o de 'reformista' e largando-o à própria sorte, tomaram o poder.

                 Quais são as similaridades com relação ao momento atual? Muitas! Uma delas é que o país começava a encontrar rumos para se tornar uma grande potência e um país menos desigual. O Plano de Metas de JK (que prometera fazer-nos avançar 50 anos em 5) era ambicioso, assim como as reformas propostas por Jango. A juventude, mobilizada em torno de bandeiras diversas ('o petróleo é nosso', reforma agrária, defesa da cultura popular, alfabetização, ampliação de direitos trabalhistas, etc.) realizava grandes protestos como forma de pressionar o sistema e a sociedade. O Congresso, travado pela oposição sistemática ao governo, dificultava a aprovação de toda e qualquer lei que pudesse ajudar a aprimorar a vida no país. Havia inflação, gerada pela instabilidade política permanente forçada e por denúncias oportunistas de corrupção ou má administração. Greves gerais, como forma de tentar recuperar essas perdas, ocorriam, criando um cenário difícil de administrar. Abandonado pela esquerda e acossado pela direita, Jango caiu, ou melhor, foi obrigado a ceder o poder aos que o exerceriam de forma autoritária durante vinte anos seguidos.

               Recordando esse período, vejo com apreensão as muitas similaridades e percebo, desanimado, que estamos bem mais para 64 que para 68 ... mas algo de significativamente diferente ocorre agora: aqueles que hoje nos governam têm bem mais experiência acumulada que os de antes, não há apoio externo declarado a golpes e noto que a própria população, em sua enorme maioria, ainda está cética e espera que isso tudo se resolva de maneira democrática, sem os prejuízos que tivemos no período anterior.

Flávio B.Prieto da Silva
 
Monumento "Os Candangos", de Bruno Giorgi, com o Palácio do Planalto ao fundo.





"Os que não conseguem se lembrar do passado, estão condenados a repeti-lo"
(George Santayana)
 

2 comentários:

  1. Ótima análise!

    "Os que não conseguem se lembrar do passado, estão condenados a repeti-lo"

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    1. Obrigado, Lua(ra)! Vou tentar escrever mais algum texto falando dos equívocos daquele período, reconhecidos depois como tal, mas repetidos agora.

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TRIBUTE TO CARLA SÁ FERNANDES - TAPETE VIRTUAL

Autoria das pinturas: Carla Sá Fernandes