sexta-feira, 27 de junho de 2014

REFORMA URBANA, DIREITO À CIDADE E OUTRAS CONSIDERAÇÕES



                    Temos visto, ao longo dos anos de 2013 e 2014, eclodirem no Brasil demandas com relação, supostamente, a mobilidade e moradia. Sabe-se que por trás de muitos desses movimentos e protestos há partidos organizados cujos quadros de apoio se encontram, em boa parte, dentro do meio acadêmico. Então, longe de serem meras demandas espontâneas da população, são movimentos induzidos com uma fundamentação argumentativa que parece, à primeira vista, consistente e bem embasada, mas cuja própria elaboração já denunciaria, por si só, que não se trata de movimentos autônomos e puramente espontâneos. De qualquer modo, o que nos é apresentado como razões indiscutíveis pode e deve, sim, ser discutido. E a partir dessa discussão, hoje tida como algo que busca hegemonizar-se, pode-se estabelecer o quanto esses movimentos têm de oportunismo ou de autêntico e legítimo, ainda que servindo às vezes mais como um pretexto para manifestações e para dar visibilidade às demais agendas desses partidos e a seus representantes institucionais.

                   Vamos, então, aos fatos: há problemas de moradia e mobilidade? Sim, tais problemas já existem no Brasil há décadas, ou melhor, há séculos, e estão sendo enfrentados no momento com políticas públicas, ao contrário do que se tenta fazer crer. Algumas dessas iniciativas são o ‘Minha Casa Minha Vida’, vigoroso programa de habitação federal, aliado a programas habitacionais estaduais e municipais, sistemas de ônibus e vias expressas, ampliação e construção de metrôs e VLTs e criação do bilhete único. O Passe Livre, Vale-Transporte e todas as gratuidades já existentes não são levados em consideração por quem reclama dos preços de tarifas – mesmo que saibamos que esses benefícios já atingem a maior parte dos usuários dos transportes públicos, uma vez que são instituídos por lei e favorecem estudantes da rede pública, idosos, pessoas com necessidades especiais e trabalhadores assalariados que ganham de 1 a 5 salários mínimos. O principal problema então, de fato, não seria o custo e sim a qualidade e frequência dos serviços. Isso só pode ser resolvido com aumento da oferta de transportes e com a fiscalização adequada e multas pesadas para quem descumpre as normas da concessão, já que se trata de transportes públicos concedidos. A alegação de que não há fiscalização adequada pelo fato de alguns empresários ajudarem a financiar as campanhas de alguns políticos não inibe ou impede a ação fiscalizadora do Ministério Público, agências reguladoras e a atuação do Judiciário, que são órgãos e poderes que independem do Executivo local, fato que os argumentos ‘absolutizantes’ omitem ou tentam ocultar.

                    As cidades brasileiras não são, na sua quase totalidade, planificadas. Sua criação e crescimento obedeceram mais a fatores e necessidades contingentes. Assim mesmo, atendem, na medida do possível, às funções de constituírem espaços relativamente organizados para moradia, trabalho, mercado, lazer, estudo e tantas outras que se fazem necessárias. Nenhuma cidade é ideal, já que as vantagens de um tipo de organização também incluem desvantagens, se comparado a outros tipos de organização existentes ou imagináveis. Cada cidade tem uma conformação topográfica, população, tamanho e limites naturais e artificiais e atende a determinadas funções específicas. Ainda assim, é possível definir políticas públicas de planejamento urbano para que possam atender melhor a todas as funções existentes e necessárias. Três delas, de transporte, trabalho e moradia, estão interligadas, dada sua natureza interdependente. Outras questões importantes a serem levadas em conta são a da superpopulação de alguns centros urbanos e os limites naturais.

                     Embora se postule que as pessoas devam morar, de preferência, perto do trabalho – princípio já advogado pela escola urbanista francesa dos anos 20, 30 e 40 do século XX – nem sempre é possível encontrar espaços adequados e disponíveis para construir onde há oferta variada de trabalho, ou oferecer empregos nas áreas disponíveis para construção de novos núcleos habitacionais. Curiosamente, apesar do problema conhecido e criticado da superpopulação de vários centros urbanos brasileiros, advoga-se que se criem condições para que os excluídos venham a morar dentro desses grandes centros, mesmo em áreas naturais preservadas, inchando-os, e que jamais sejam removidos ou realocados em periferias. A justificativa é que remover agrava o problema do transporte ou inviabiliza o trabalho. Mas então, não seria talvez o caso de buscar meios de criar oferta de trabalho onde se pode construir novos bairros e cidades sem inchar ainda mais as já abarrotadas metrópoles e megalópoles?

                   Sabemos como as áreas de livre ocupação urbana se formam: uma pessoa ou família se instala em um local do qual não é proprietária e ali consegue permanecer sem ser molestada. Aos poucos, outras pessoas e famílias vêm se instalar ao lado e chamam parentes e amigos que vivem em outros locais (às vezes bem distantes) para se instalarem ali também. O ‘bairro’ cresce de maneira mais desordenada que as cidades, que contam pelo menos com estrutura básica de saneamento, ruas, praças e outros serviços públicos em geral ao se formarem. Como se trata de apêndices dentro ou bem ao lado de alguma cidade, geralmente se utilizam de maneira clandestina de serviços como luz, água e até internet e televisão a cabo, descarregando lixo e esgoto em encostas, aterros, lagoas, rios, mar ou onde for possível. A partir daí, as pessoas que moram ali tentam se integrar à população e hábitos do bairro e se inserir de algum modo no mercado de trabalho local, passando também a usar serviços públicos existentes de escolas, hospitais, transportes, etc.

                  Nada de mal intencionado nisso, uma vez que são estratégias de sobrevivência, mas tais práticas, de certo modo, sabotam qualquer tentativa de planejamento e regulamentação urbana. Se cada um pode construir onde, como e quando quer, não há norma que valha ou possa ser aplicada e não há planejamento possível. Isso não se aplica só às populações excluídas, mas também aos que modificam imóveis e áreas de modo arbitrário e fora das posturas municipais, inclusive em áreas de preservação, mesmo se tratando de pessoas e empresas com recursos. Portanto, se se deseja uma cidade minimamente planejada e viável, tem-se que impedir as violações das normas por quem quer que seja e tentar garantir que essas normas sejam objetivas e coletivamente benéficas.

                  Criminalizar remoções ou a atuação fiscalizadora das prefeituras é, portanto, algo que também não resolve o problema urbano. O que se pode exigir é que, quando necessária e legal, a remoção seja feita com aviso prévio e que os locais e imóveis para onde sejam removidos apresentem condições boas e contem também com a infraestrutura de bairro necessária para darem sequência a suas vidas de maneira digna.  O ideal, no entanto, seria estudar as razões do êxodo das pequenas cidades e áreas rurais para entender o que leva milhares de pessoas e famílias a migrarem para os grandes centros, inchando-os, e buscar criar as alternativas locais que solucionem esse problema. Quanto à criação de oportunidades de trabalho, o papel do Estado é indutor, podendo ele favorecer a instalação de determinados empreendimentos por meio de incentivos fiscais, mas nunca se pode ofertar todos os empregos existentes em um grande centro e evitar por completo a necessidade de deslocamentos, portanto não há como eliminar totalmente esse problema, o que nos traz de volta à questão de bons e adequados sistemas de transporte público. A criação da tarifa social poderia ser mais uma solução, já que nem todos são idosos, trabalham ou estudam, ficando fora, assim, das gratuidades e benefícios já existentes.      

                    Outras considerações possíveis diriam respeito a criar-se mais espaços de lazer e interação social. Isso já existe em muitos bairros que contam com praças, quadras públicas de esportes, cineclubes e tendas de shows a preços populares ou espaços públicos naturais tais como parques, praias, etc. Já existem leis de meia entrada para idosos, professores e estudantes em cinemas, teatros e shows, mas poderiam, também aí, criar uma tarifa social e mais centros de interação social múltipla – papel hoje desempenhado por algumas associações comunitárias, escolas e universidades públicas e entidades sindicais ou patronais do tipo SESC e SESI, além de clubes privados. O vale-cultura, criado por lei recente, também pode ser utilizado, à escolha de seus beneficiários, para esse tipo de lazer. O importante, também, é que organismos estatais e paraestatais criem mais oferta desses serviços e espaços em áreas hoje consideradas como de exclusão ou exclusão parcial, para que seus moradores não fiquem relegados a shoppings e alternativas puramente comerciais, geralmente pagas.   

                   Em todo caso, é relevante notar que, assim como as cidades e bairros não surgem da noite para o dia, seus problemas e soluções também vão aparecendo gradativamente. Nem tudo é caos ou ordem, nem tudo é utopia ... cidade é solução e problema, permanência e movimento, planejamento e anarquia. E o direito não se restringe à cidade e a indivíduos e grupos, mas ao país e, em última análise, à vida coletiva e ao planeta.

                                                                                        Flávio Braga Prieto da Silva

Em tempo: ocupações induzidas indiscriminadas não ajudam a resolver problemas de moradia, já que são feitas por critérios mais políticos que sociais e humanitários e não levam em conta caminhos mais pacíficos e racionais de solução da questão.

terça-feira, 17 de junho de 2014

QUE PAPELÃO, AÉCIO!!!

AÉCIO NEVES MANDA FAZER VÁRIOS BONECOS DE PAPELÃO
PARA POSAREM EM FOTOS COM ELEITORES E OUTROS CANDIDATOS DO PSDB
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BONECO DO AÉCIO CHEGA ATRASADO À CONVENÇÃO DO PARTIDO, MAS ASSIM MESMO,TEM MAIS VOTOS PREVISTOS QUE O CANDIDATO DE CARNE E OSSO.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

DILMA PUBLICA DECRETO PARA POSSIBILITAR PARTICIPAÇÃO SOCIAL DIRETA NAS DECISÕES DE GOVERNO

Presidência da República
Casa CivilSubchefia para Assuntos Jurídicos
DECRETO Nº 8.243, DE 23 DE MAIO DE 2014
Institui a Política Nacional de Participação Social - PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social - SNPS, e dá outras providências.


A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput, incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 3º, caput, inciso I, e no art. 17 da Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003,
DECRETA:
Art. 1º  Fica instituída a Política Nacional de Participação Social - PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil.
Parágrafo único.  Na formulação, na execução, no monitoramento e na avaliação de programas e políticas públicas e no aprimoramento da gestão pública serão considerados os objetivos e as diretrizes da PNPS.
Art. 2º  Para os fins deste Decreto, considera-se:
I - sociedade civil - o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações;
II - conselho de políticas públicas - instância colegiada temática permanente, instituída por ato normativo, de diálogo entre a sociedade civil e o governo para promover a participação no processo decisório e na gestão de políticas públicas;
III - comissão de políticas públicas - instância colegiada temática, instituída por ato normativo, criada para o diálogo entre a sociedade civil e o governo em torno de objetivo específico, com prazo de funcionamento vinculado ao cumprimento de suas finalidades;
IV - conferência nacional - instância periódica de debate, de formulação e de avaliação sobre temas específicos e de interesse público, com a participação de representantes do governo e da sociedade civil, podendo contemplar etapas estaduais, distrital, municipais ou regionais, para propor diretrizes e ações acerca do tema tratado;
V - ouvidoria pública federal - instância de controle e participação social responsável pelo tratamento das reclamações, solicitações, denúncias, sugestões e elogios relativos às políticas e aos serviços públicos, prestados sob qualquer forma ou regime, com vistas ao aprimoramento da gestão pública;
VI - mesa de diálogo - mecanismo de debate e de negociação com a participação dos setores da sociedade civil e do governo diretamente envolvidos no intuito de prevenir, mediar e solucionar conflitos sociais;
VII - fórum interconselhos - mecanismo para o diálogo entre representantes dos conselhos e comissões de políticas públicas, no intuito de acompanhar as políticas públicas e os programas governamentais, formulando recomendações para aprimorar sua intersetorialidade e transversalidade;
VIII - audiência pública - mecanismo participativo de caráter presencial, consultivo, aberto a qualquer interessado, com a possibilidade de manifestação oral dos participantes, cujo objetivo é subsidiar decisões governamentais;
IX - consulta pública - mecanismo participativo, a se realizar em prazo definido, de caráter consultivo, aberto a qualquer interessado, que visa a receber contribuições por escrito da sociedade civil sobre determinado assunto, na forma definida no seu ato de convocação; e
X - ambiente virtual de participação social - mecanismo de interação social que utiliza tecnologias de informação e de comunicação, em especial a internet, para promover o diálogo entre administração pública federal e sociedade civil.
Parágrafo único.  As definições previstas neste Decreto não implicam na desconstituição ou alteração de conselhos, comissões e demais instâncias de participação social já instituídos no âmbito do governo federal.
Art. 3º  São diretrizes gerais da PNPS:
I - reconhecimento da participação social como direito do cidadão e expressão de sua autonomia;
II - complementariedade, transversalidade e integração entre mecanismos e instâncias da democracia representativa, participativa e direta;
III - solidariedade, cooperação e respeito à diversidade de etnia, raça, cultura, geração, origem, sexo, orientação sexual, religião e condição social, econômica ou de deficiência, para a construção de valores de cidadania e de inclusão social;
IV - direito à informação, à transparência e ao controle social nas ações públicas, com uso de linguagem simples e objetiva, consideradas as características e o idioma da população a que se dirige;
V - valorização da educação para a cidadania ativa;
VI - autonomia, livre funcionamento e independência das organizações da sociedade civil; e
VII - ampliação dos mecanismos de controle social.
Art. 4º  São objetivos da PNPS, entre outros:
I - consolidar a participação social como método de governo;
II - promover a articulação das instâncias e dos mecanismos de participação social;
III - aprimorar a relação do governo federal com a sociedade civil, respeitando a autonomia das partes;
IV - promover e consolidar a adoção de mecanismos de participação social nas políticas e programas de governo federal;
V - desenvolver mecanismos de participação social nas etapas do ciclo de planejamento e orçamento;
VI - incentivar o uso e o desenvolvimento de metodologias que incorporem múltiplas formas de expressão e linguagens de participação social, por meio da internet, com a adoção de tecnologias livres de comunicação e informação, especialmente, softwares e aplicações, tais como códigos fonte livres e auditáveis, ou os disponíveis no Portal do Software Público Brasileiro;
VII - desenvolver mecanismos de participação social acessíveis aos grupos sociais historicamente excluídos e aos vulneráveis;
VIII - incentivar e promover ações e programas de apoio institucional, formação e qualificação em participação social para agentes públicos e sociedade civil; e
IX - incentivar a participação social nos entes federados.
Art. 5º  Os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta deverão, respeitadas as especificidades de cada caso, considerar as instâncias e os mecanismos de participação social, previstos neste Decreto, para a formulação, a execução, o monitoramento e a avaliação de seus programas e políticas públicas.
§ 1º  Os órgãos e entidades referidos no caput elaborarão, anualmente, relatório de implementação da PNPS no âmbito de seus programas e políticas setoriais, observadas as orientações da Secretaria-Geral da Presidência da República.
§ 2º  A Secretaria-Geral da Presidência da República elaborará e publicará anualmente relatório de avaliação da implementação da PNPS no âmbito da administração pública federal.
Art. 6º  São instâncias e mecanismos de participação social, sem prejuízo da criação e do reconhecimento de outras formas de diálogo entre administração pública federal e sociedade civil:
I - conselho de políticas públicas;
II - comissão de políticas públicas;
III - conferência nacional;
IV - ouvidoria pública federal;
V - mesa de diálogo;
VI - fórum interconselhos;
VII - audiência pública;
VIII - consulta pública; e
IX - ambiente virtual de participação social.
Art. 7º  O Sistema Nacional de Participação Social - SNPS, coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, será integrado pelas instâncias de participação social previstas nos incisos I a IV do art. 6º deste Decreto, sem prejuízo da integração de outras formas de diálogo entre a administração pública federal e a sociedade civil.
Parágrafo único.  A Secretaria-Geral da Presidência da República publicará a relação e a respectiva composição das instâncias integrantes do SNPS.
Art. 8º  Compete à Secretaria-Geral da Presidência da República:
I - acompanhar a implementação da PNPS nos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta;
II - orientar a implementação da PNPS e do SNPS nos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta;
III - realizar estudos técnicos e promover avaliações e sistematizações das instâncias e dos mecanismos de participação social definidos neste Decreto;
IV - realizar audiências e consultas públicas sobre aspectos relevantes para a gestão da PNPS e do SNPS; e
V - propor pactos para o fortalecimento da participação social aos demais entes da federação.
Art. 9º  Fica instituído o Comitê Governamental de Participação Social - CGPS, para assessorar a Secretaria-Geral da Presidência da República no monitoramento e na implementação da PNPS e na coordenação do SNPS.
§ 1º  O CGPS será coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, que dará o suporte técnico-administrativo para seu funcionamento.
§ 2º  Ato do Ministro de Estado Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República disporá sobre seu funcionamento.
Art.10.  Ressalvado o disposto em lei, na constituição de novos conselhos de políticas públicas e na reorganização dos já constituídos devem ser observadas, no mínimo, as seguintes diretrizes:
I - presença de representantes eleitos ou indicados pela sociedade civil, preferencialmente de forma paritária em relação aos representantes governamentais, quando a natureza da representação o recomendar;
II - definição, com consulta prévia à sociedade civil, de suas atribuições, competências e natureza;
III - garantia da diversidade entre os representantes da sociedade civil;
IV - estabelecimento de critérios transparentes de escolha de seus membros;
V - rotatividade dos representantes da sociedade civil;
VI - compromisso com o acompanhamento dos processos conferenciais relativos ao tema de sua competência; e
VII - publicidade de seus atos.
§ 1º  A participação dos membros no conselho é considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada.
§ 2º  A publicação das resoluções de caráter normativo dos conselhos de natureza deliberativa vincula-se à análise de legalidade do ato pelo órgão jurídico competente, em acordo com o disposto na Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.
§ 3º  A rotatividade das entidades e de seus representantes nos conselhos de políticas públicas deve ser assegurada mediante a recondução limitada a lapso temporal determinado na forma dos seus regimentos internos, sendo vedadas três reconduções consecutivas.
§ 4º  A participação de dirigente ou membro de organização da sociedade civil que atue em conselho de política pública não configura impedimento à celebração de parceria com a administração pública.
§ 5º  Na hipótese de parceira que envolva transferência de recursos financeiros de dotações consignadas no fundo do respectivo conselho, o conselheiro ligado à organização que pleiteia o acesso ao recurso fica impedido de votar nos itens de pauta que tenham referência com o processo de seleção, monitoramento e avaliação da parceria.
Art. 11.  Nas comissões de políticas públicas devem ser observadas, no mínimo, as seguintes diretrizes:
I - presença de representantes eleitos ou indicados pela sociedade civil;
II - definição de prazo, tema e objetivo a ser atingido;
III - garantia da diversidade entre os representantes da sociedade civil;
IV - estabelecimento de critérios transparentes de escolha de seus membros; e
V - publicidade de seus atos.
Art. 12.  As conferências nacionais devem observar, no mínimo, as seguintes diretrizes:
I - divulgação ampla e prévia do documento convocatório, especificando seus objetivos e etapas;
II - garantia da diversidade dos sujeitos participantes;
III - estabelecimento de critérios e procedimentos para a designação dos delegados governamentais e para a escolha dos delegados da sociedade civil;
IV - integração entre etapas municipais, estaduais, regionais, distrital e nacional, quando houver;
V - disponibilização prévia dos documentos de referência e materiais a serem apreciados na etapa nacional;
VI - definição dos procedimentos metodológicos e pedagógicos a serem adotados nas diferentes etapas;
VII - publicidade de seus resultados;
VIII - determinação do modelo de acompanhamento de suas resoluções; e
IX - indicação da periodicidade de sua realização, considerando o calendário de outros processos conferenciais.
Parágrafo único.  As conferências nacionais serão convocadas por ato normativo específico, ouvido o CGPS sobre a pertinência de sua realização.
Art. 13.  As ouvidorias devem observar as diretrizes da Ouvidoria-Geral da União da Controladoria-Geral da União nos termos do art. 14, caput, inciso I, do Anexo I ao Decreto nº 8.109, de 17 de setembro de 2013.
Art. 14.  As mesas de diálogo devem observar, no mínimo, as seguintes diretrizes:
I - participação das partes afetadas;
II - envolvimento dos representantes da sociedade civil na construção da solução do conflito;
III - prazo definido de funcionamento; e
IV - acompanhamento da implementação das soluções pactuadas e obrigações voluntariamente assumidas pelas partes envolvidas.
Parágrafo único.  As mesas de diálogo criadas para o aperfeiçoamento das condições e relações de trabalho deverão, preferencialmente, ter natureza tripartite, de maneira a envolver representantes dos empregados, dos empregadores e do governo.
Art. 15.  Os fóruns interconselhos devem observar, no mínimo, as seguintes diretrizes:
I - definição da política ou programa a ser objeto de debate, formulação e acompanhamento;
II - definição dos conselhos e organizações da sociedade civil a serem convidados pela sua vinculação ao tema;
III - produção de recomendações para as políticas e programas em questão; e
IV - publicidade das conclusões.
Art. 16.  As audiências públicas devem observar, no mínimo, as seguintes diretrizes:
I - divulgação ampla e prévia do documento convocatório, especificado seu objeto, metodologia e o momento de realização;
II - livre acesso aos sujeitos afetados e interessados;
III - sistematização das contribuições recebidas;
IV - publicidade, com ampla divulgação de seus resultados, e a disponibilização do conteúdo dos debates; e
V - compromisso de resposta às propostas recebidas.
Art. 17.  As consultas públicas devem observar, no mínimo, as seguintes diretrizes:
I - divulgação ampla e prévia do documento convocatório, especificando seu objeto, metodologia e o momento de realização;
II - disponibilização prévia e em tempo hábil dos documentos que serão objeto da consulta em linguagem simples e objetiva, e dos estudos e do material técnico utilizado como fundamento para a proposta colocada em consulta pública e a análise de impacto regulatório, quando houver;
III - utilização da internet  e de tecnologias de comunicação e informação;
IV - sistematização das contribuições recebidas;
V - publicidade de seus resultados; e
VI - compromisso de resposta às propostas recebidas.
 Art. 18.  Na criação de ambientes virtuais de participação social devem ser observadas, no mínimo, as seguintes diretrizes:
I - promoção da participação de forma direta da sociedade civil nos debates e decisões do governo;
II - fornecimento às pessoas com deficiência de todas as informações destinadas ao público em geral em formatos acessíveis e tecnologias apropriadas aos diferentes tipos de deficiência;
III - disponibilização de acesso aos termos de uso do ambiente no momento do cadastro;
IV - explicitação de objetivos, metodologias e produtos esperados;
V - garantia da diversidade dos sujeitos participantes;
VI - definição de estratégias de comunicação e mobilização, e disponibilização de subsídios para o diálogo;
VII - utilização de ambientes e ferramentas de redes sociais, quando for o caso;
VIII - priorização da exportação de dados em formatos abertos e legíveis por máquinas;
IX - sistematização e publicidade das contribuições recebidas;
X - utilização prioritária de softwares e licenças livres como estratégia de estímulo à participação na construção das ferramentas tecnológicas de participação social; e
XI - fomento à integração com instâncias e mecanismos presenciais, como transmissão de debates e oferta de oportunidade para participação remota.
Art. 19.  Fica instituída a Mesa de Monitoramento das Demandas Sociais, instância colegiada interministerial responsável pela coordenação e encaminhamento de pautas dos movimentos sociais e pelo monitoramento de suas respostas.
§ 1º  As reuniões da Mesa de Monitoramento serão convocadas pela Secretaria-Geral da Presidência da República, sendo convidados os Secretários-Executivos dos ministérios relacionados aos temas a serem debatidos na ocasião.
§ 2º  Ato do Ministro de Estado Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República disporá sobre as competências específicas, o funcionamento e a criação de subgrupos da instância prevista no caput.
Art. 20.  As agências reguladoras observarão, na realização de audiências e consultas públicas, o disposto neste Decreto, no que couber.
Art. 21.  Compete à Casa Civil da Presidência da República decidir sobre a ampla divulgação de projeto de ato normativo de especial significado político ou social nos termos do art. 34, caput, inciso II, do Decreto nº 4.176, de 28 de março de 2002.
Art. 22.  Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 23 de maio de 2014; 193º da Independência e 126º da República.
DILMA ROUSSEFFMiriam Belchior
Gilberto Carvalho
Jorge Hage Sobrinho
Este texto não substitui o publicado no DOU de 26.5.2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

FUERZA, AMIGOS!

NUESTRAS ORACIONES SE VUELVEN A USTEDES