terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O QUE É O MERCADO?



O QUE É O MERCADO?
                   É comum, quando alguém precisa de um bem ou serviço e o encontra a preço relativamente caro, dizerem que estão apenas cobrando o ‘preço de mercado’ – mas o que é mesmo o tal do mercado e como se formam realmente os preços? A conclusão a que se chega logo é que, embora se possa falar em mercado sujeito a determinadas leis, não existe um organismo autônomo e dotado de vida e vontade próprias que atenda por esse nome.
                   O que se costuma chamar de ‘mercado’, por alusão ao local físico onde se compram e vendem ou trocam produtos, é o conjunto da economia em relação a um determinado setor, ou sua totalidade. Quando se diz, então, que o ‘mercado’ vende determinada mercadoria ou serviço ao preço “X”, o que se quer dizer é que esse é o preço praticado por João, Pedro, Maria ... ou seja, pela maioria dos fornecedores daquele bem. Mas quem são João, Pedro e Maria? São pessoas e empresas formadas por pessoas    e é em última análise de escolhas individuais e pessoais, sob determinadas condições, que se forma o ‘preço médio’ ou ‘preço de mercado’.
                 Quem cursa uma faculdade de Economia lá estuda uma disciplina chamada ‘Microeconomia’, que trata justamente do estudo das relações entre fornecedores e consumidores atuando em mercados onde vigoram o monopólio, oligopólio ou livre concorrência, e as respectivas regras de formação de preço. Regras econômicas não são regras éticas ou morais, são apenas as normas gerais que, acredita-se, regem mercados. Baseiam-se, em geral, na famosa lei da oferta e da procura, fundada na maior ou menor escassez e necessidade de um bem e na maior ou menor concentração de fornecedores e consumidores.
               Quanto mais abundante e mais pulverizada a oferta, em termos de fornecedores, menor será o preço. O inverso também é verdadeiro: quanto menor e menos pulverizada a oferta, maior a possibilidade de preços altos. E quanto maior a procura, maior o preço, e vice-versa. No monopólio, o monopolista manda. No oligopólio, um grupo de oligopolistas manda. Na livre concorrência, a variação do preço seria proporcional apenas ao equilíbrio entre quantidade ofertada e procurada e seu valor, no limite, aos custos envolvidos na produção e distribuição ... mas será que existe de fato livre concorrência? Essa questão é relevante porque além dos cartéis de produtores temos os de distribuidores que, ao invés de competirem entre si, como propugnam os defensores do liberalismo, muitas vezes combinam divisões do mercado e preços, os quais também podem ser fixados em determinados patamares por acordos tácitos, estabelecendo faixas de lucratividade irreais e que nada têm a ver com regras econômicas gerais.
             Além da questão da maior ou menor escassez e da concentração do mercado, há também a questão da essencialidade. Um bem ou serviço pode ser essencial ou supérfluo. Quanto mais supérfluo, mais o preço pode variar de acordo com fatores ocasionais como promoções, propaganda e moda. Inversamente, quanto mais essencial, mais estável deverá ser o preço, afetável apenas por aumento da escassez ou surtos de procura. 
                Mesmo nas economias planificadas existe mercado? Sim. Além das mercadorias e serviços terem um preço ou valor de troca, existe também o mercado externo no qual esses países são obrigados a interagir, já que nenhum país do mundo é totalmente autossuficiente ou autógeno. No mercado se trocam bens, serviços e força de trabalho. Dependendo da necessidade real ou imaginária de um bem, serviço ou tipo de mão de obra, seu valor variará e seu custo ou retribuição serão diferenciados. A moeda é, em ambos os sistemas, um modo de se calcular o valor desses bens econômicos e, na maioria dos casos, a forma principal de estabelecer liquidez e trocas. Além disso, existem o mercado formal e o informal.
                  O que se pode fixar e concluir disso tudo? Em linhas gerais, que o que se chama de ‘mercado’ é um conjunto não homogêneo de pessoas, bens e relações de troca e de trabalho, que são regidas tanto por normas objetivas quanto subjetivas. Leis trabalhistas são leis objetivas, seu cumprimento, no entanto, é subjetivo. Oferta, procura e preço de equilíbrio são formulações teóricas para tentar explicar o comportamento do mercado, mas muitas vezes falham em explicar o sobrepreço e a exploração humana, os quais não se justificam nem por critérios matemáticos e, muito menos, sociais.  É importante também salientar que mercado somos todos nós, todos atuamos nele em cada uma de nossas escolhas econômicas, sempre que temos alguma escolha, lógico. E para que não sejamos somente mercadores, é preciso que tenhamos consciência social.
Flávio B.Prieto 

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