quarta-feira, 23 de novembro de 2016

DOS PASITOS PA'ATRÁS ...

O PROCESSO DE RECONVERSÃO FORÇADA À DIREITA DA AMÉRICA LATINA

Processo semelhante ao que ocorreu na América Latina nos anos 60, 70 e 80 se repete agora (como farsa?), com a volta do discurso conservador e a eclosão de governos de direita no continente, após pesadas campanhas para derrocar governos redistribuidores de renda e acesso aos bens sociais. Assim ocorreu na Argentina, com a eleição do opositor Maurício Macri, após duras campanhas nas quais se acusava veladamente o governo de Cristina Kirchner de ser autor ou co-autor da morte de um promotor de justiça (caso Nisman) e de numerosas marchas contra a inflação e supostas corrupções. Assim também ocorreu no Brasil, com a deposição ardilosa da presidenta legitimamente reeleita em 2014, Dilma Roussef, após numerosas marchas, batalhas judiciais, midiáticas e congressuais. Em ambos os casos, o capital e os meios de comunicação conservadores e hegemônicos tiveram participação decisiva em induzir a população e os detentores de cargos representativos e de controle institucional a se colocarem publicamente ou atuarem contra os governos progressistas de Cristina e Dilma. O método deu certo: o grupo político de Cristina não conseguiu eleger Scioli, candidato que se colocou como independente apesar de estar no mesmo espectro político que Cristina, e no Brasil pós-golpe, em recentes eleições municipais, a direita obteve vitória por larga margem, enquanto processos judiciais para tentar anular o golpe contra Dilma vão se arrastando sem perspectivas favoráveis no Judiciário cooptado. O caso Nisman e a algazarra sobre ‘crise’ foram parcialmente sepultados pela mídia (como seria de se esperar) e as marchas de direita anti-corrupção,  anti-inflação e anti-desemprego, tanto no Brasil quanto na Argentina, cessaram completamente – embora a corrupção, inflação e desemprego não tenham cessado e nem reduzido seu ritmo. A palavra ‘crise’, utilizada igualmente contra Cristina e Dilma (seja no sentido político ou econômico) deixou de ter a força negativa que tinha e passou a ser vista como fato corriqueiro pela mídia colaboracionista, ou mesmo como pretexto para medidas de austeridade fiscal e econômica. A retirada sumária de direitos e anúncios da venda de ativos importantes, aliados à manutenção das mazelas anteriormente criticadas, parece ter servido como um balde de água fria para a parcela da população que antes queria acreditar que uma simples mudança de governo lhes traria um país melhor e maiores perspectivas em suas vidas pessoais. E a estratégia da mídia de apoio a esses governos de dizer que agora tudo melhorara ou melhoraria em breve deixou de funcionar com a incapacidade dos mesmos em impedir o aparecimento de numerosos escândalos envolvendo pessoas de suas hostes e de controlar inflação, desemprego, desequilíbrios públicos e desvios. Na Venezuela, a oposição também logrou importante vitória ao conquistar 2/3 dos assentos da Assembleia Nacional, de onde passou a exercer uma oposição política ao governo Maduro – antes exercida na mídia, nas ruas e na guerra econômica (guarimbas, boicote econômico, desabastecimento). Também lá o binômio capital e mídia assume um papel preponderante na mobilização popular contra o governo, com campanhas permanentes para desestabilizar o governo popularmente eleito, mas sem obter o êxito desejado.
Em todos os casos acima, o aporte de recursos e de apoios de diversos tipos dos ‘institutos pela democracia’ e ‘livre-mercado’, uma miríade de organismos internacionais ligados a governos de países do centro do sistema político e econômico internacional como Estados Unidos e Alemanha. De volta aos anos 60, 70 e 80?

Flávio B. Prieto da Silva

Rio de Janeiro, novembro de 2016


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