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domingo, 3 de abril de 2016

TRUMBO E AS LISTAS DA LAVA JATO

Desde o início da operação Lava Jato e subsequente abertura de processo de impedimento da presidenta Dilma, ficou claro que os métodos se assemelhavam a algo que eu já vira no passado. Em um primeiro instante, refleti que era semelhante ao processo anterior, batizado de 'Mensalão' (Ação Penal 470), que seguia a estratégia de um grande julgamento público voltado a condenar apenas um grupo político por supostas práticas de corrupção. Todavia, estendendo a memória, se parecia também a outros fatos políticos já ocorridos no Brasil como as tentativas de golpe contra Getúlio, JK e Jango.

Refletindo mais e ampliando as analogias, haveria ainda um paralelo histórico mais preciso: o McCarthismo dos Estados Unidos dos anos 40, 50 e 60 voltado ao 'perigo vermelho', começando com uma lista negra e culminando com interrogatórios e julgamentos sumários de supostos comunistas e posterior destruição de suas vidas, reputação, trabalho e famílias.

Entre as semelhanças, a existência de listas negras, prisões e delações forçadas, julgamento prévio pela grande mídia, condenação e execração pública e incitação ao ódio ou desprezo coletivo contra aqueles que apareciam como traidores ou delinquentes nacionais. A afirmação permanente de ideais pseudo-liberais e supostos interesses nacionais a serem defendidos também se mostra, agora, na tentativa de impedir ou afastar uma presidenta eleita por 54 milhões de eleitores, em um procedimento acusatório sem crime definido e sem direito suficiente de defesa. 

No filme "Trumbo - Lista Negra", que procura retratar as agruras de um grupo de roteiristas de cinema na pessoa de Dalton Trumbo, um renomado roteirista de Hollywood e ganhador de prêmios de literatura, as vidas de inúmeras pessoas são arrasadas em nome da defesa dos ideais norte-americanos e da luta contra o 'perigo vermelho'. Aqueles que são colocados nas listas negras perdem seus empregos e são julgados e condenados sumariamente. Suas famílias sofrem com a exposição pública negativa e têm dificuldades para seguir em frente. Perseguem-se homossexuais e negros, além de todo aquele que não professe os mesmos ideais dos perseguidores.

Embora as situações e épocas se diferenciem, não pude deixar de me lembrar que o momento atual do Brasil, conduzido por uma mídia e uma direita fundamentalistas e órgãos institucionais a seu dispor, também inclui o pavor ao Comunismo, combate ao direito de livre escolha sexual, tentativa de afirmar um nacionalismo excludente e moralizante, denúncias permanentes de corrupção, ataques às liberdades individuais e coletivas, uso da mídia como arma de mobilização e execração pública, tribunais de exceção, relativização de direitos em nome do bem nacional, etc.

Assim como na época do McCarthismo se dava aos inimigos o tratamento de traidores e inimigos da pátria, agora se dá a petistas e seus aliados o tratamento de corruptos e inimigos da pátria - chegando ao ponto de um procurador federal dizer que seria inviável e sem interesse jurídico investigar governos anteriores - mesmo que nas listas atuais 'vazadas' ao público só apareçam nomes de opositores ao PT. E a tribuna da mídia, capaz de influenciar a opinião pública sob pretexto de informá-la, continua sendo o maior baluarte dessa direita que ataca seletivamente, sob falso pretexto.





2 comentários:

  1. Deve-se investigar mais a fundo os objetivos da lava jato. O juiz Moro parece trabalhar para alguma organização cujo objetivo é destruir as empresas brasileiras, enfraquecer e derrubar o governo e se apossar do nosso petróleo.

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    1. Concordo plenamente, Maria José. Começou como uma investigação dos atos ilícitos de um doleiro e depois virou 'Petrolão', mas agora querem investigar campanhas eleitorais de 2010 e 2014 e conectar o 'Petrolão' ao 'Mentirão'. Pois é ...

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