sexta-feira, 20 de maio de 2016

O QUE FAZER?

                          O QUE FAZER? (por Flávio B. Prieto da silva)

Muito embora um governo ilegítimo já esteja, de maneira velhaca, antecipando o afastamento definitivo da presidenta oficial popularmente eleita e praticando irregularmente todo tipo de abusos contra as políticas públicas por ela estabelecidas em benefício dos mais carentes e da infraestrutura do país, sabemos que a correlação de forças no Senado – que é quem tem o poder de decidir sobre o afastamento final – é negativa e deverá confirmar o que uma Câmara com 70% de integrantes judicialmente investigados decidiu. Então, a pergunta é: O que fazer?

Há várias alternativas em perspectiva. A primeira delas é resistir do modo que for possível, seja de maneira pacífica, mais enérgica ou radical. Ambas as possibilidades apresentam uma debilidade: dada a correlação das forças sociais, também é pouco provável que consigamos, por meio delas, reverter de fato o ‘impeachment’ e o golpe, bem como seus efeitos práticos. Outra é não fazer nada. Então, vale perguntar novamente: O que fazer?

O que temos visto após poucos dias de implementação do afastamento provisório de Dilma e da iniciativa apressada e, repito, irregular, de desmontar desde já todo seu programa de governo em andamento – incluindo as políticas sociais mais importantes e implementar uma pauta de venda de patrimônio público e atendimento imediato de reivindicações incisivas de grupos reacionários fundamentalistas (como é o caso da revogação da lei que garantia a possibilidade do uso de nome social para LGBTs) – é o governo do golpe colocar os pés pelas mãos.

Propostas para reequilibrar o orçamento do país e retomar investimentos e crescimento, rechaçadas veementemente  nas últimas semanas por eles tais como o retorno da CPMF e a criação ou aumento de tributos, agora aparecem como solução mágica, só que de maneira bem mais brutal e descarada. Cortes ou redução de direitos dos trabalhadores já surgem também como outro achado para equilibrar o orçamento, ao mesmo tempo que fatias generosas de verbas do orçamento deficitário deverão ser alocadas para pagar fornecedores e incentivar empresários.

Sim, com auxílio da mesma mídia hegemônica que ajuda a dar e naturalizar esse golpe sórdido e cínico que propõe ‘virar a página’ antes mesmo de sua leitura final, tudo está sendo anunciado e suavizado para convencer uma população relativamente cética quanto à política, mas que confia nessa mídia como fonte fidedigna de apreensão e explicação da realidade mais complexa e geral.

Devem, portanto, ‘emplacar’, apesar de nocivos à maioria: aumento da idade mínima para aposentadoria, fim ou redução de programas sociais importantes como Farmácia Popular, SAMU, Bolsa Família, SUS, Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida, verbas culturais ... tudo está na lista ou já sendo contingenciado, cortado ou reduzido substancialmente sem a reação popular que seria de se esperar. Isso sem falar das vendas de fatias do patrimônio público (especialidade tucana) em massa que já vão sendo protocolarmente anunciadas, ainda que o governo seja interino. "Anestesia geral, não devemos lutar contra isso, culpem quem sai ..."

Que alternativas, pergunto novamente, temos, então, como militância e vanguarda de mobilização democrática à esquerda, de ações concretas contra o que está posto, sabendo que nossa população é majoritariamente refratária ao que ocorre na seara política?

Uma delas é deixar acontecer e mostrar, à medida que acontece, como isso prejudica o país e sua população. Seria, a grosso modo, como retornar quinze ou vinte anos no tempo e reviver o que um dos mentores do golpe atual, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, fez durante seus oito anos de mandato – dos quais ele e seu partido saíram com a popularidade bastante arranhada, a despeito do apoio midiático expresso e permanente. Mas, se não serviu para educar a população e politizá-la naquela época, servirá agora?

A segunda é radicalizar: olho por olho, dente por dente. Se prendem um dos nossos, prenderemos alguém do lado deles. Se nos baterem ou matarem, faremos o mesmo com eles e, sobretudo, não os deixaremos governar.

E a terceira é tentar, estando fora do poder central, educar uma massa de pelo menos 100 milhões de pessoas que ainda se encontram sob domínio intelectual da direita reacionária e de seus meios de comunicação e entretenimento, o que leva tempo e custa um esforço imenso e contínuo.

Com a palavra e ação, a militância e a população!
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