quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A VIDA SEXUAL DOS BATRÁQUIOS


                   REDE MUNDIAL E PÓS-MODERNIDADE (por Flávio Prieto)
A chamada rede mundial (ou, simplesmente, internet) deu espaço a muito ativismo que antes ficaria guardado ou reprimido por simples preguiça. Revolução similar, consideradas as diferenças e proporções existentes, deve ter se dado quando se popularizou a telefonia fixa: milhões de pessoas, em tempo real, discutindo e compartilhando assuntos que antes só eram discutidos ou compartilhados pessoalmente ou por carta, nesse caso com o lapso temporal de seu envio e chegada. Voltamos à escrita, mas agora em tempo real, com o acréscimo de podermos ter também imagens e áudio enviados separada ou simultaneamente, além de links para outros assuntos. A revolução cibernética veio para ficar e promete aumentar a intensidade dos debates gerais e a temperatura do ambiente político.
Mas tal aumento de intensidade e temperatura, no entanto, não se dá sempre pelo aumento da quantidade de informações pertinentes e válidas, e sim, com muito maior frequência, pela brutal disseminação de factoides ou avaliações imprecisas. Hoje, com meia dúzia de acessos a páginas diversas, todos pensam ser especialistas em tudo ou se sentem tentados a se passar por tal. Discute-se desde abastecimento de água a física quântica, conveniência de obras e denúncias de opressões diversas, vida sexual dos sapos e a possível estrutura político-administrativa das tribos endogâmicas. Tomamos posição ou somos chamados a fazê-lo com relação a assuntos e ocorrências em locais distantes do planeta e de nossa realidade concreta, mas que parecem achar-se próximos por alguma razão afetiva ou ideológica. Tudo urge! Tudo pede por um clique e nos diz respeito: será que estamos prontos para ser os paladinos do mundo pós-moderno – ou nos tornamos, de fato, meros artífices da confusão? 


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