sábado, 16 de agosto de 2014

PAX ISRAELENSIS

             Yasser Arafat morreu doente em um hospital na França em novembro de 2004, após ter seu QG em Rammalah, na Cisjordânia, bombardeado diversas vezes pela artilharia israelense. Suspeita-se que sua morte tenha sido causada por envenenamento por polônio, embora tal fato nunca tenha sido confirmado de maneira incontestável. Era o líder da OLP e do Fatah, movimento que criou para lutar contra a dominação absoluta da Palestina por Israel. A Palestina, apesar de ser uma grande região citada na Bíblia e em outros livros de história antiga e de o plano de criação de Israel pela ONU prever a criação de dois países, nunca foi reconhecida como estado independente. Em sua época de militância mais intensa, Arafat era considerado o inimigo número um de Israel, só sendo aceito como legítimo representante da região e interlocutor político a partir do final da década de 90, quando tornou-se presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina). Assim mesmo, morreu como um inimigo e para que fosse autorizada sua saída da região para poder internar-se na França foi necessário um esforço diplomático imenso, já que Israel se obstinava em não deixá-lo viajar.  Dizia Israel que enquanto Arafat e seu grupo fossem os representantes do povo palestino, não haveria negociação possível, sendo necessário que o povo palestino boicotasse a OLP e Fatah em favor de outros representantes mais moderados. Na época, o Hamas era considerado mais moderado, sendo aceito como interlocutor e substituto ao grupo de Arafat. Hoje, o Hamas é considerado o problema por Israel ...
             Como se nota, o problema para Israel é os palestinos terem alguma liderança que queira reivindicar direitos, que exija tratamento digno e respeitoso, que imponha que seu povo possa viver com tranquilidade e soberania em um território que não esteja fracionado e espoliado por Israel. Maior problema ainda se eles apoiarem uma liderança que seja capaz de matar ou morrer por isso – tanto quanto Israel é capaz de matar ou morrer pelo que considera como seu direito à segurança e soberania. Então, como se nota, o que Israel não quer e não admite, com relação aos palestinos, é um tratamento igualitário e a possibilidade de abrir mão do que tomou à força. Israel quer uma paz incondicional, uma paz imposta sob coerção armada e sem direitos, uma ‘Pax Israelensis’. Israel quer, sobretudo, uma paz desigual.

Um comentário:

  1. Obs.: agradeço ao amigo Marco, do blog O Antipig, a expressão 'pax israelensis', que me levou a escrever o breve artigo.

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