segunda-feira, 16 de novembro de 2015

NEM TERROR E NEM GUERRA

NEM TERROR E NEM GUERRA
               Se equivoca bastante quem pensa que os atos de terror que têm ocorrido pelo mundo são manifestações isoladas de selvageria unilateral. Analisando a origem e os motivos declarados dos que os têm praticado – ainda que qualquer ato terrorista seja plenamente injustificável – nota-se que se trata de reações extremas e sequenciais, cujo suposto embasamento é um radicalismo fundamentalista, e que são tomadas por pessoas que, embora tendo nascido ou sido criadas dentro dela, estão à margem da sociedade ocidental, ou por pessoas originárias de países massacrados por essa sociedade e que buscam algum tipo de acerto de contas posterior com ela.
             Seria a conta tardia do colonialismo dos séculos passados, ou contas novas de um neocolonialismo que arma e financia facções para derrubar líderes populares por interesses geopolíticos e econômicos no mundo todo, em especial em países islâmicos? Ou seria o dito ‘choque de civilizações’ previsto por Samuel Huntington, que atribui unicamente às identidades culturais e religiosas o principal eixo de conflitos no mundo pós Guerra Fria? E, por falar nisso, quem decretou seu fim – já que tudo indica que ainda estamos vivendo tal ciclo – embora com outra arquitetura?
           Se minha análise não é de todo leviana, a solução para este conflito não seria mais guerra ou mais dominação pós ou neocolonial. E o chamado terror só serviria para realimentar ou dar justificativas – embora falsas, já que toda dominação e guerra também são plenamente injustificáveis – aos que acham que com mais guerra se resolveria o problema e que o mundo só estará seguro quando um dos lados for totalmente aniquilado. Mas de que lados estamos falando? Da indústria bélica ocidental e dos fanáticos que ela arma? Dos interesses comerciais e de poder ocidentais versus algum fundamentalismo cultural e religioso islâmico? Ou deveríamos, em vez de lados, falar do direito de cada povo existir e viver em paz com sua cultura, religião e riquezas?
P.S. Os meios jornalísticos ocidentais que cobriram os recentes ataques a civis no Ocidente se esqueceram de listar, também, todos os ataques a bomba e ocupações de países muçulmanos, com centenas de milhares de mortos. Alguma vida vale menos que as demais e algum motivo para matar é mais sagrado ou justificável que outros?  Eu penso que não ...


Flávio B.Prieto da Silva
Que la paix de Dieu puisse régner dans nos coeurs

قد سلام الله يسود في قلوبنا - May God's peace prevail in our hearts

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