terça-feira, 29 de setembro de 2015

ALIANÇAS POLÍTICAS E A 'INSIGNIFICANTE' QUESTÃO DA GOVERNABILIDADE

                                                                                                                                      F.Prieto
Pretender que o PT rompa de vez a aliança com o PMDB, partido do vice-presidente, com o qual o PT se coligou para eleger a chapa Dilma-Temer, é o mesmo que dizer agora:
- Amputem uma das pernas do governo, depois peçam que caminhe sem ela.
Aliados querem poder governar junto, sempre foi assim e sempre será. Hoje, o PMDB tem participação totalmente minoritária no governo em termos de número de ministérios: 6 em 39 (vários dos quais são meras secretarias, diga-se de passagem). E por isso exige mais - o que seria de se esperar - para garantir fidelidade.
Aliança é aliança, negar a importância do PMDB no Congresso e no cenário político nacional é fugir à realidade: é a 1ª maior bancada no Senado e 2ª maior na Câmara, maior partido em número de prefeitos e governadores. Sim, Cunha e um bando de gente que o apoia são um mal para o país e para o governo, mas ele mesmo já pulou fora do barco e disse que não respeitaria a aliança. Deve se fritar só, por seus próprios erros e atitudes. Acabará isolado, certamente, se seguir por essa via.
Muitos dos que pedem que o PT abandone a aliança com o PMDB unilateralmente gostariam de ver o PT sem aliado algum, para poderem tirá-lo do poder mais fácilmente e ceder seu lugar a outro partido, verdade seja dita. Não é pelo bem do governo, do PT e do país, na maior parte dos casos. Não se rompem alianças assim, oportunisticamente e não se governa sozinho: isso é suicídio político, pois não se aprova sequer orçamento. O PT cobrou que o PMDB fosse aliado verdadeiro e o PMDB cobra maior participação no governo: é assim que é - o que é muito distinto de dizer que o governo deixará o PMDB impor suas visões políticas e cogovernar como bem entender.
Se, no futuro, o PT tiver alguma possibilidade de alianças menos ambíguas ou delas não necessitar, claro que optará por fazê-lo - mas até aqui, temos um leque de oposições que vão desde a esquerda à direita mais radicais - que querem igualmente apear o PT do poder por razões egoístas e sórdidas. E alguns poucos aliados sinceros e elogiáveis, como o PCdoB.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA: "QUE HORAS ELA VOLTA?"

"Que horas ela volta?" – interessante filme de Anna Muylaert. Outros filmes recentes abordam o tema das relações patrões-empregados domésticos e a situação de mães que deixam seus filhos para cuidar dos filhos de outras pessoas por necessidade. Esses filmes são: "Domésticas" (2001), de Fernando Meirelles, e o chileno "A Criada" (2009), de Sebastián Silva. Todos mostram, a seu modo, que há uma teia de hipocrisias nas relações de fachada entre patrões e empregados e situações de sacrifícios familiares, mas acabam construindo um libelo quase unilateral, tendente a um maniqueísmo que aponta culpas (do tipo 'patrão ruim' x 'empregado bom'). Nas avaliações ao filme de Anna Muylaert, alguns dizem tratar-se de uma denúncia das tentativas frustradas de conciliação de classe. Mas o antagonismo entre pessoas por razões de classe é ou deveria ser absoluto? Não há possibilidade de cooperação genuína entre pessoas – mesmo em relações econômicas desiguais? E será que o mundo e a história se resumem mesmo à luta permanente, inevitável e implacável entre pessoas divididas em classes ou há, de fato, situações intermediárias em que ocorre cooperação, seja por necessidade ou mesmo espontânea? O que se critica, a meu ver, são os estereótipos, mas incidindo, em alguns momentos, em outros. Nesse aspecto, o filme "Que horas ela volta?" parece ser o mais tendente a unilateralizar as fontes de conflitos e a visão negativa dos patrões - colocados como alienados burgueses hipócritas, meio desalmados ou insanos. Nos filmes de Meirelles e Sebastián Silva, todavia, essa relação parece mais diluída, fluida e variável.

O outro foco do filme é a situação de mães que deixam outras pessoas cuidando de seus filhos por razões diversas - seja por necessidade financeira ou por tentarem seguir seus sonhos e carreiras. Nesse aspecto, acho o roteiro de "Que horas ela volta" (“The Second Mother”, em Inglês) bem construído, ao mostrar que a própria filha da empregada, que fora deixada pela mãe em outro estado (e que por isso se acha no direito de julgá-la), acaba repetindo-a. A mãe do menino rico também não tem tempo para lhe dar afeto na mesma medida que a empregada, que está sempre em casa e compensa a ausência da filha dedicando atenções especiais ao filho da patroa – demostrando que tal problema não seria exclusivo das classes mais baixas – embora seja apresentado num caso como necessidade, e, em outro, como mera opção. Pontos fortes do filme? As atuações dos cinco co-protagonistas (Regina Casé, Camila Márdila, Karina Teles, Lourenço Mutarelli e Michel Joelsas), com destaque para Regina e Camila, além de situações bem boladas de humor crítico e alguns momentos dramáticos específicos mais líricos ou densos (a fórmula não é nova, mas funciona!). Fotografia e cenários criativos e bem cuidados e ritmo de ação que consegue manter a atenção do público em alta. O filme vale como reflexão e exercício crítico e poético. 

Flávio B.Prieto






sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O GRAMADO INGLÊS

O GRAMADO INGLÊS

Meu irmão contava uma estória sobre gramados cuja ideia central é válida hoje e, acredito eu, sempre. Um americano perguntou a um inglês o que era necessário fazer para ter um gramado tão belo, verde e viçoso como os encontrados em vários locais da Inglaterra. O inglês parou, coçou a cabeça, pensou um pouco, e começou a dar uma série de dicas sobre botânica, jardinagem, rega – tudo bastante técnico e preciso como costumam ser os ingleses. O americano pôs mãos à obra e fez tudo o que o amigo havia dito, mas ao fim de um ano de trabalho árduo e muitos cuidados não havia conseguido um gramado à altura dos que vira na Inglaterra e em revistas e filmes sobre aquele país. Assim que teve oportunidade, entrou em contato com o amigo e contou que fizera tudo o que fora sugerido por ele, sem porém obter sucesso. Perguntou, então, o que faltaria fazer para que seu gramado ficasse igualzinho aos ingleses. O inglês respondeu: esperar. Mas esperar quanto tempo – disse o americano – e o inglês respondeu calmamente: séculos!

Isso ilustra a ideia de que cada coisa ou processo vivo tem seu tempo de maturação, a vida e a natureza não dão saltos e o único a fazer, às vezes, é perseverar e esperar. Perseverar significa persistir, insistir, acreditar e seguir em frente em alguma decisão ou atitude. Esperar ... bom, nem todos sabem fazer isso, embora a maioria saiba o que significa. Quando alguém cobrar que o país melhore a olhos vistos e em ritmo célere, lembre-se dessa estória. Mudanças sociais e culturais, principalmente, costumam levar tempo! 

Flávio B.Prieto



COMO RODRIGO MAIA, PAULO GUEDES E A GLOBO ESTÃO TE ENGANANDO SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO

AQUI ESTÃO AS 7 PRINCIPAIS MENTIRAS QUE TE CONTAM SOBRE O SERVIÇO PÚBLICO (com dados confiáveis que destroem essas mentiras) MENTIRA...